segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O Caminho da Beleza 53 - Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente. Procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos. Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus. Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.
(Papa Francisco, 2016)

Não temos um só Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros?
(Ml 2, 10)

Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo                 26.11.2017
Ez 34, 11-12.15-17            1 Cor 15, 20-26.28                       Mt 25, 31-46

ESCUTAR

Assim diz o Senhor Deus: “Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas” (Ez 34, 11).

Em Cristo todos reviverão (1 Cor 15, 22).

“Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos” (Mt 25, 32).


MEDITAR

Em 1935, Hitler havia dito que “se a guerra viesse, ele englobaria e resolveria a questão da eutanásia, porque era mais fácil fazê-lo em tempo de guerra”. O decreto foi cumprido imediatamente no que dizia respeito aos doentes mentais e, entre dezembro de 1939 e agosto de 1941, cerca de 50 mil alemães foram mortos com monóxido de carbono em instituições cujas salas de execução eram disfarçadas exatamente como seriam depois em Auschwitz – como salas de duchas e banhos... Os homens que haviam sido empregados no programa de eutanásia na Alemanha foram então mandados para o Leste para construir as novas instalações para o extermínio de todo um povo” (Hannah Arendt).


ORAR

      Os textos deste domingo encerram o ano litúrgico e nos fazem refletir sobre o julgamento derradeiro. O profeta nos faz saber que este não será uma anistia ampla, geral e irrestrita, pois o amar do Senhor é fazer justiça e tomar partido pelos menores entre os menores. A comunidade de Mateus revela que o Filho do Homem é Jesus, o Crucificado, e seu poder é o Reino do Amor que renuncia a si mesmo para construir a fraternidade entre homens e pecadores. É este Jesus cheio de “sabedoria, glória e realeza” que recebe do Pai o poder de julgar. O Evangelho nos faz saber que o único critério para o julgamento derradeiro, e que diz respeito a todas as nações da terra, é o amor aos menores, aos considerados insignificantes. Devemos atender à oração de São João Crisóstomo: “Rende-te ao meu modesto pedido: não peço nada que te custe; somente pão, teto e algumas palavras de consolo”. Todas as nossas “celebrações” serão abominadas pelo Senhor se não forem celebrações do testemunho efetivo da comunidade para com os irmãos menores entre nós. O Ressuscitado, como um mendigo, bate à nossa porta e nos pede sempre, com a mão estendida, alguma coisa. Ele quer ser alimentado por nós, pois Ele quer ser o nosso devedor. Porque nos ama, Ele quer sempre estar sentado em nossa mesa, entre amigos, e proclamar ao mundo que a fraternidade é possível e não é um mero sonho ou quimera. O Ressuscitado quer se apresentar ao mundo como Alguém a quem alimentamos, damos de beber, acolhemos, vestimos, visitamos na prisão, nos hospícios e nos hospitais. A grande revelação do Evangelho é que seremos julgados pelo que não fizemos: “Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeste”. Ainda é tempo de amar, de praticar o amor, pois ninguém sabe nem o dia e nem a hora derradeiros. E praticar este amor é seguir à risca o roteiro traçado pelo profeta que nos garante como prêmio a Coroa da Vida: “O jejum que eu prefiro é este: acabar com a injustiça qual corrente que se arrebenta; acabar com a opressão qual canga que se solta; deixar livre os oprimidos, acabar com toda espécie de imposição e jamais te esconder do pobre do teu irmão. Aí, então, qual novo amanhecer, vai brilhar a tua luz e tuas feridas hão de sarar rapidamente. Teus atos de justiça irão à tua frente e a glória do Senhor te seguirá. E quando o invocares, o Senhor te atenderá e ao clamares, Ele responderá: Aqui Estou!” (Is 58, 6-9).


CONTEMPLAR

S. Título, 1998, França, Paris, Museu Rodin, Elliot Erwitt (1928-), Magnum Photos, franco-americano.




segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O Caminho da Beleza 52 - XXXIII Domingo do Tempo Comum

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente. Procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos. Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus. Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.
(Papa Francisco, 2016)

Não temos um só Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros?
(Ml 2, 10)

XXXIII Domingo do Tempo Comum                     19. 11.2017
Pr 31, 10-13,19-30.30-31                      1 Ts 5, 1-6                Mt 25 14-30


ESCUTAR

Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre (Pr 31, 20).

Não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios (1 Ts 5, 6).

Todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância (Mt 25, 29).


MEDITAR

Digo ao senhor: tudo é pacto. Todo o caminho da gente é resvaloso. Mas também cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta! Deus resvala? Mire e veja. Tenho medo? Não. Estou dando batalha...O sertão tem medo de tudo. Mas eu hoje em dia acho que Deus é alegria e coragem – que Ele é bondade adiante... (João Guimarães Rosa).


ORAR

Não há espetáculo mais deprimente do que o de um cristão que esconde o seu talento, que mascara a sua fé e dissimula a sua pertença a Cristo ao sepultar a Palavra. Mais deprimente ainda é reduzir a Palavra a um moralismo barato ou a uma celebração triunfalista. Não há deformação mais vil do que a das igrejas que se isolam para contemplarem, satisfeitas, os talentos recebidos. Guardar não é o mesmo que semear e Deus tem o direito de nos pedir coragem, liberdade e responsabilidade. Nossa relação com Deus não pode ser reduzida a uma relação servil de uma miserável contabilidade de toma lá dá cá. A parábola dos talentos não é uma estória de medos e ameaças, mas uma luta contra os medos e a afirmação da nossa liberdade de correr riscos. O medo bloqueia e nos faz mergulhar na inutilidade, pois “quem afrouxa na saída ou se entrega na chegada não perde nenhuma guerra, mas também não ganha nada” (G. Vandré). Se damos a Deus apenas o que Ele nos deu, na realidade não lhe damos nada. O talento que mantemos enterrado como cimento de nossa segurança é a expressão da esterilidade da nossa vida. Jesus exige de nós a audácia, a coragem e a disposição ao risco. Somente quem é capaz do risco receberá a amizade de Jesus e encontrará o sentido da vida. Devemos romper a nossa acomodação e vingar o livro dos Provérbios: “Dá bebida ao andarilho e vinho ao aflito para que beba e esqueça a sua miséria e não se lembre de seus sofrimentos. Abre a tua boca a favor do mudo e em defesa do desventurado. Abre a tua boca e dá a sentença justa, defendendo o pobre e o infeliz” (Pr 31, 6-9). A fé no Cristo é o risco de todos os riscos e para todos o mesmo salto no vazio, mas é também alegria, promessa, ternura, amor e vida em abundância.


CONTEMPLAR

Sertão sem Fim, 2009, Araquém Alcântara (1951-), Florianópolis, Brasil.





segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O Caminho da Beleza 51 - XXXII Domingo do Tempo Comum

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente. Procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos. Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus. Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.
(Papa Francisco, 2016)

Não temos um só Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros?
(Ml 2, 10)

XXXII Domingo do Tempo Comum                       12.11.2017
Sb 6, 12-16              1 Ts 4, 13-18                       Mt 25, 1-13


ESCUTAR

A sabedoria é resplandecente e sempre viçosa. Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram (Sb 6, 12).

Não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança (1 Ts 4, 13).

“No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ (Mt 25, 6).


MEDITAR

Quem me compreende como o Eterno, o Anônimo,
o Imanifesto, o Inconcebível, o Supremo,
não limitado de forma alguma,
o Infinito,
quem me adora desse modo e, contudo, vê a minha presença
em todos os seres
e, praticando o bem,
vive alegremente,
esse acabará por unir-se a mim.

(Krishna, em “do amor universal”, bhagavad-gita, século 1 a.C.)


ORAR

A sabedoria não se encontra somente nas universidades, igrejas e templos. Ela é oferecimento e busca: “Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram”. No evangelho de hoje, a necessidade da sabedoria soma-se ao convite de estar vigilantes. Cristo não nos pede que renunciemos ao descanso, mas que rompamos com tudo que se opõe à vida e à luz. A vigilância é a capacidade de acolher o momento presente, pois a esperança não se encontra fora do tempo. O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer afirma que devemos levar a sério as realidades últimas e, ao mesmo tempo, tomar posições decididas diante das penúltimas. É necessário viver a plenitude de cada instante. A hora da chegada do Esposo não pode ser improvisada. É uma hora como as outras. A sabedoria é o sinal luminoso da espera vigilante e da capacidade de sentir o tempo que se faz breve. Deus se atrasa porque, paradoxalmente, é a sua característica de ser pontual. É urgente sem pressa. O noivo estava demorando e não sabemos o dia e nem a hora da sua chegada. Deus sempre chega pontualmente na sua hora, mas por meio de uma sucessão interminável de atrasos em relação aos nossos vorazes relógios. A vida é eterna não por causa da sua duração indefinida, mas pela sua qualidade indestrutível. Ser fiel é se entregar aos outros e esta atitude não pode ser tomada de última hora e improvisadamente. O Cristianismo não é prática de vida reservada para a hora da morte. Não é uma imprudência. Para os imprudentes fecham-se as portas e ouve-se somente o veredicto: “Não vos conheço!”.


CONTEMPLAR


Sem Título, sem data, sem autoria definida, acessado em pinterest.com, outubro 2017.



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O Caminho da Beleza 50 - Solenidade de Todos os Santos

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente. Procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos. Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus. Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.
(Papa Francisco, 2016)

Não temos um só Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros?
(Ml 2, 10)

Solenidade de Todos os Santos                    05.11.2017
Ap 7, 2-4.9-14                    1 Jo 3, 1-3                Mt 5, 1-12a


ESCUTAR

Eu, João, vi outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo (Ap 7, 2).

Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! (1 Jo 3, 1).

“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).


MEDITAR

Creio que nem os Romanos e nem os Judeus compreenderam Jesus de Nazaré, nem tampouco Seus discípulos que agora pregam Seu nome.
Os Romanos O mataram. E isso foi um erro. Os Galileus fizeram d’Ele um deus, e isso foi um engano.
Jesus era do coração do homem.

(Kalil Gibran)


ORAR

Viver a festa da santidade é viver a realidade de um censo impossível: “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar”. E como não podemos conhecer todos os nomes dos santos, devemos chamar este domingo da Festa da Santidade Anônima. Todos participam da mesma santidade de Deus e a santidade é o sinal inequívoco do vestígio de Deus em nossas vidas. Os santos não se reduzem ao dos altares oficiais, mas circulam cotidianamente entre nós. Devemos buscar em cada dia o rosto dos santos porque são um reflexo do rosto de Deus. Os santos não vivem em nichos de gesso, mas em casas comuns. Não trazem auréolas luminosas em suas cabeças, mas problemas e preocupações. Não flutuam no ar, mas tem pernas e pés doloridos como os nossos. Os santos são contaminados pela alegria, pela surpresa e compõem a sinfonia dos loucos de Deus. O milagre dos santos consiste no fato de existirem no cenário perverso desta sociedade e querer acrescentar um pouco de graça e ternura no cotidiano do mundo. A santidade não é um luxo, mas uma condição normal e obrigatória do cristão: ela é um dom e uma possibilidade oferecida a todos e não reservada a uns poucos privilegiados. Devemos sempre suspeitar que eles estão mais próximos de nós do que podemos supor. Os santos correm pelas ruas e a maior parte dos bem-aventurados são pessoas simples e que têm coração. A declaração conciliar Nostra Aetate afirma: “A Igreja Católica não rejeita o que é verdadeiro e santo em todas as religiões. Considera suas práticas, maneiras de viver, preceitos e doutrinas como reflexo da verdade que ilumina todos os seres humanos, ainda que se distanciem do que ela crê e ensina (...)A Igreja rejeita como contrária ao pensamento de Cristo toda a discriminação ou perseguição por causa das diferenças de raça, cor, condição ou religião” (NA 857.871).


CONTEMPLAR

Monge budista noviço, Kyaw Thiha, brinca durante a chuva no Monastério Shin Ohtama Tharya, em Yangon, Myanmar, 2011, Soe Zeya Tun, Agência Reuters, Yangon, Myanmar.





segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O Caminho da Beleza 49 - XXX Domingo do Tempo Comum

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente. Procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos. Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus. Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.
(Papa Francisco, 2016)

Não temos um só Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros?
(Ml 2, 10)

XXX Domingo do Tempo Comum              29.10.2017
Ex 22, 20-26                     1 Ts 1, 5-10                 Mt 22, 34-40


ESCUTAR

Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. Se os maltratardes, gritarão por mim e eu ouvirei o seu clamor (Ex 22, 21-22).

Irmãos, sabeis de que maneira procedemos entre vós, para o vosso bem (1 Ts 1, 5).

“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” (Mt 22, 36).


MEDITAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

(Carlos Drummond de Andrade, Amar).


ORAR

Jesus fez uma única operação aritmética na vida: os dez mandamentos haviam se transformado em seiscentos e treze preceitos dos quais trezentos e sessenta e cinco começavam com Não – um por dia – e os outros duzentos e quarenta e oito com um imperativo Deves. Jesus não se perde neste emaranhado selvático de prescrições, filigranas ou detalhes insignificantes, pedantes e ridículos. Provocado por um doutor da Lei, acostumado às sutilezas e sofismas, Jesus soma, divide, multiplica, diminui e chega ao resultado desejado: Dois que são Um. Amor a Deus e Amor ao próximo são a mesma coisa e formam um único bloco. Somos nós, que atomizados por tantos casuísmos clericais, multiplicamos em leis todos os nossos interesses, tormentos, remorsos e acusações implacáveis. Conseguimos colocar algo que não está no Evangelho, nem no centro e nem na periferia. A operação simplificada de Jesus nos resulta indigesta e evitamos aceitar o essencial e testemunhá-lo. Nesta selva de números, aterroriza-nos descobrir apenas dois rostos: o do irmão, tantos rostos que formam um só, e o rosto de Deus. Jesus não nos entrega estatísticas, mas rostos e presenças. Somos nós, por ignorância ou covardia, que separamos e fazemos pirotecnias acerca do primado de Deus e da atenção e cuidado ao próximo. Pensamos que somos religiosos quando oramos, quando recebemos os sacramentos e quando entramos pela porta da frente das igrejas. No entanto, para Jesus seremos religiosos quando lutarmos por uma sociedade mais justa e nos interessarmos pelos imigrantes, pelos desprezados. Quando rompermos a solidão dos anciãos e superamos os preconceitos que marginalizam e demonizam nossos irmãos e irmãs. Jesus não nos obriga a olhar um código e nem a decorar prescrições minuciosas. Ele arranca todos os códigos de nossas mãos e nos obriga a descobrir os rostos. O essencial não está escrito nas páginas de um texto porque o essencial sempre teve, tem e terá um rosto e uma única explicação possível: a do amor. Que possamos um dia testemunhar o que já foi testemunhado um dia: “Vede como se amam e como estão dispostos a morrer uns pelos outros” (Tertuliano, século III DC).


CONTEMPLAR

Crianças em balanços, 1996, Richard Kalvar (1944-), Magnum Photos, Nova Iorque, Estados Unidos.




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O Caminho da Beleza 48 - XXIX Domingo do Tempo Comum

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente. Procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos. Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus. Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.
(Papa Francisco, 2016)

Não temos um só Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros?
(Ml 2, 10)

XXIX Domingo do Tempo Comum             22.10.2017
Is 45, 1.4-6              1 Ts 1, 1-5b              Mt 22, 15-21


ESCUTAR

“Chamei-te pelo nome; reservei-te, e não me reconheceste” (Is 45, 4).

O nosso evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força que é o Espírito Santo (1 Ts 1, 5).

“Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha?” (Mt 22, 18).


MEDITAR

Os ricos, os grandes, os que ocupam os lugares importantes e que escandalizam, são um mal infinito. Quando os ímpios reinam e dominam, é a ruína de todos, diz Provérbios: “quando os perversos se impõem, arruína-se o homem” (Pr 28, 12).

(Cornelius a Lapide, jesuíta, séc. XVII)


ORAR

Para os mais melindrosos deve ser motivo de escândalo o fato de que o Senhor tenha conferido a Ciro, o rei da Pérsia, um não-crente que nem O conhecia, o título de Cristo, o Ungido. E este ungido, sem etiquetas religiosas, foi chamado para realizar as obras de Deus no famoso edito de 538 AC que permitia aos judeus voltar a sua terra. Os judeus buscaram a sua segurança ao estreitar as alianças e pactos com os poderosos de turno, esquecendo que a segurança estava garantida pela fidelidade a Javé. E Ciro, o incrédulo, se converte, sem o saber, em servo do Senhor. O edito de Ciro libertou um povo e por isso convence mais que o de Constantino, que o atrelou a si. As doações de Constantino foram mais daninhas porque eivadas de interesses escusos dos poderosos que se autoproclamavam como “benfeitores”. Jesus escapa da armadilha devolvendo-a aos seus adversários e os colocando em apuros. Ainda hoje, as delimitações do território espiritual e temporal desencadeiam discussões acaloradas. A adesão a Cristo não nos facilita a chave do entendimento e nem é um milagroso salvo-conduto para resolver os conflitos. Nossos políticos, muitas vezes com o beneplácito das igrejas, sacrificam vidas pela apropriação imoral e pecaminosa do dinheiro que não lhes pertence. Estão todos excomungados do coração de Deus ainda que posem de cristãos aos olhos dos homens. Para eles, estão reservados o fogo que não se apaga e o inferno que não se acaba. No plano político, não existe uma terceira via e nem uma solução intermediária. Se Jesus diz Sim, condena os esforços do povo para libertar-se do jugo romano. Se Jesus diz Não, vai se declarar partidário dos zelotes e de sua rebeldia libertária. O poder limitado de César chega até onde vai a sua moeda. Ao contrário, o poder de Deus é ilimitado e por isso deve receber tudo de todos. Os cristãos devem confrontar os poderes civis e religiosos que toleram e perpetuam as injustiças e prepotências. Estes poderes, ainda que da boca para fora não neguem a Deus, ofendem a sua imagem que é o homem. A imagem de César está na moeda, mas a imagem de Deus está em cada um de nós. Lamentamos quando perdemos a imagem de César, mas continuamos adoradores dos poderes quando injuriamos a imagem de Deus que está em cada um de nós e em nossos irmãos e irmãs.


CONTEMPLAR

Qual é a nossa única exigência?, 2011, cartaz do Movimento dos “Indignados” cujo lema é “Ocupe Wall Street”, Nova Iorque, Estados Unidos.




sábado, 14 de outubro de 2017

Fundação Matersol 18 Anos

Manas e Manos da Travessia



Hoje, 15 de outubro de 2017, Festa de Teresa de Ávila, completamos dezoito anos de fundação da comunidade dos Manos da Terna Solidão (Matersol), como Instituto de Vida Consagrada. A comunidade, no entanto, possui uma história de 37 anos, partilhando Alegria, Ternura, Justiça e Verdade.

Agradecemos a todas as Manas e Manos que, no Espírito, buscam o Transcendente pelo testemunho do Filho, em amor e serviço à Criação do Pai!

Em comunhão com Mère Belém, nossa mãe da ternura, fundadora das Irmãs Contemplativas de Sion, e de Dom Irineu, nosso pai da alegria, bispo emérito da Diocese de Lins (SP), que nos consagraram como manos, pedimos a todos a antiga benção monástica (século VI):



"O Senhor Jesus Cristo
esteja junto de ti para te proteger:
à tua frente para te conduzir;
atrás de ti para te guardar;
acima de ti para te abençoar.
Ele que, com o Pai e o Espírito Santo
vive e reina pelos séculos. Amém."